Por que não queremos largar os nossos celulares?

Celular

É triste que hoje em dia seja normal para você estar em um restaurante com amigos e que você comece a conversar apenas para fazer contato visual e perceba que a pessoa sentada perto de você está olhando para baixo – para o celular dela.

Há uma sensação rápida de insegurança e desapontamento e que você apenas conversou com o ar, não com outra pessoa.
Por quê? Porque elas não estavam no mundo real, mas no digital.
Uma das coisas mais assustadoras que não analisamos o suficiente é que, nós temos uma pequena máquina nos nossos bolsos o tempo inteiro que nos dá acesso a um mundo ilimitado. Acesso irrestrito a qualquer coisa. E isso é animador. Às vezes mais animador do que uma refeição com um amigo, que começar uma conversa com um estranho no supermercado, ou entrar em conversas difíceis, porque elas são difíceis - ou assim que pensamos.
E se os nossos dispositivos estiverem realmente nos matando? E se eles estiverem realmente alterando a nossa química corporal e cerebral, e não fosse um exagero dizer que eles estão mudando a nossa humanidade?
Quando algo se torna tão poderoso quanto ter o mundo em nossos bolsos, precisamos avaliar essa situação com responsabilidade e seriedade. O pior é por causa dessa prática - não podemos encontrar a cura. Estamos quebrados, fragmentados, recortados. Se tornou uma prática para a qual nós nunca paramos ou damos uma pausa.
Em um estudo recente, descobriu-se que 82% dos adultos sentiram que a maneira que eles usam seus celulares em ambientes sociais atrapalha a conversa. O que significa que 8 em cada 10 adultos admitem naturalmente que suas conversas e interações estão sendo comprometidas por causa de como eles usam e se envolvem com o seu smartphone.
Sherry Turkle, um professor do MIT, é sem dúvida dos principais estudiosos do mundo sobre como a tecnologia afeta nossa humanidade e relacionamentos destaca o problema,

“Em uma conversa entre cinco ou seis pessoas no jantar, você tem que verificar que três pessoas estão prestando atenção – com a cabeça levantada - antes de você se dar a permissão para olhar para o seu telefone. Então a conversação continua, mas com pessoas diferentes com a cabeça para cima em momentos diferentes. O efeito é o que você esperaria: Conversa é mantida relativamente leve, em tópicos onde as pessoas sentem que podem entrar e sair".
Ninguém encontra a cura em uma conversa onde as pessoas sentem que podem "entrar e sair". E honestamente, eu não tenho certeza se eu tenho alguma grande revelação ou resposta a este problema - Eu só sei que está acontecendo.
Mas e se o problema não precisa ser uma grande revelação? E se a resposta é simplesmente guardar o seu telefone? Estabelecer limites. Fixar regras. Deixá-lo em casa. Desligá-lo. Isso tem funcionado muito bem com a minha esposa Alyssa e eu.
Sentindo o puxão não-saudável de nossos telefones, e tendo uma filha de 17 meses de idade que nós sabíamos que iria seguir a cultura que nos propuséssemos em nossa casa, nós estabelecemos limites. Escolhemos um dia por semana em que podemos desligá-lo totalmente. Às vezes, quando vamos a algum lugar eu sei que é tentador retirá-lo, então ao invés disso, eu decidi deixá-lo em casa.
E você sabe o que acontece?
Naquelas margens que eu criei, ao invés de usar meu celular, nós conversamos entre nós. Às vezes é uma conversa normal e curta - mas às vezes é profunda, com poder de cura e de estabelecer conexões e incrivelmente de dar vida. E é para isso que fomos criados.

Artigo publicado no portal A Holy Experience, em 22 de outubro de 2015. Traduzido por Pablo Henrique.

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