K- Love Conference | Terceira Parte

 MG 1245 baixa

A tarde de sábado foi em rítmo de debate gospel. O líder do ministério Dunamis (São Paulo), Téo Hayashi, e o líder do ministério Nova Geração (Brasília), Gustavo Paiva, compartilharam seus conhecimentos e opiniões sobre igreja, liberdade no Espírito Santo e o posicionamento dos cristão na atualidade. Confira um resumo deste painel, que foi parte da programação do K-Love Conference.

1) Estão acontecendo várias mudanças culturais e ideológicas na sociedade. Vocês acreditam que a igreja precisa passar por uma transformação para lidar com as mudanças?

Gustavo Paiva (GP): Imagem é importante para governar. A igreja se tornou religiosa e fundamentalista pela imagem que colocamos sobre nós. Para haver transformação, precisamos mostrar para o mundo a imagem correta de Cristo, sem perder os valores Dele e a semelhança do reino para gerar governo.
Téo Hayashi (TH): Dias em que temos duas opções, cultura secular ou cultura mundana. Mas Daniel não se corrompeu por nenhuma dessas duas opções, ele procurou o caminho completamente oposto, não abrindo mão de seus valores e sendo voz de Deus. Rejeitar as duas opções é sábio, melhor é buscar a terceira opção que é andar segundo os valores do reino. Estamos numa situação em que nos sentimos encurralados por as vezes desconhecer a palavra de Deus.
2) Atualmente estão surgindo várias doutrinas que vão contra os valores do reino. Qual a opção da igreja para um doutrinamento de vida e cultura que seja compatível com a sociedade?
TH: Não viver numa bolha evangélica, precisamos aprender a liberdade no Espírito Santo. O que faz mal a uma pessoa, não significa que afeta outra da mesma maneira. É necessário aprender a não tomar decisões pelos rótulos sagrado/secular, mas pela paz do Espírito Santo. Tem coisas que são pecado e isto está na Bíblia, não é uma questão de liberdade no Espírito ou não, mas conhecimento de Deus. Já outras coisas, precisam de discernimento espiritual e muitas vezes será uma escolha pessoal. Nossas convicções não podem ser baseadas em doutrinas, mas no nosso conhecimento de Deus.
GP: Quando o Espírito Santo gera cultura em alguém, uma das coisas que acontece é que manifestações começam a acontecer, falar em línguas e manifestações semelhantes não são as únicas performances do Espírito Santo, quando o Espírito Santo enche uma pessoa ela pode ser capacitada para trabalhar, criar e fazer coisas ainda não feitas (ex: Besaleu, o primeiro homem a ser cheio do Espírito). O Espírito Santo lhe capacita a ter clareza para fazer o que você tem que fazer. Deus quer te encher para que coisas aconteçam à partir do seu trabalho.
3) Considerando que a igreja é uma estrutura organizada e levando em conta a liberdade que os membros precisam ter no Espírito Santo, qual o papel do líder neste contexto?
TH: Minha função como pastor é pregar a Bíblia. E entendo que a função do clero é deixar claro o que está na Palavra, sem tornar contemporâneo o que está ali. É importante também apresentar o que não está claro e influenciar a ovelha a se aproximar do Espírito Santo para que possa se decidir.
GP: Não temos que nos colocar entre Deus e os homens. Tenho visto um erro nas lideranças que é querer controlar as decisões do homem. Através de Jesus temos acesso ao Pai e Ele é o único mediador. Algumas coisas que tem sido promovido pela liderança atual é se colocar como o mediador. O bom pastor lidera pelo relacionamento e não pelas regras. O bom pastor é aquele que instruiu. O que determina o que você pode ou não pode fazer é o Espírito Santo.
4) Quando a igreja se aproxima da forma de Reino de Deus, ela se torna uma família. E, em paralelo, vemos estruturas denominacionais onde as pessoas se reúnem por uma doutrina em comum. Fale sobre a transição da igreja de uma união de membros por denominação/doutrina para uma união de membros como Reino de Deus/família.
GP: O exemplo de Davi e Salomão na construção do templo mostra a realidade e importância da união de gerações num propósito. A consciência de família é isso, pensar que um ministério ou um projeto não finda-se quando você morre, mas que haverá gerações que darão continuidade.
TH: Não sou contra denominações, porque elas dão oportunidades para que a palavra de Deus se expanda. Mas existe um ponto no qual eu sou contra, que é a denominação barrar a possibilidade de crescimento entre gerações, a perspectiva de mudança que pode acontecer com o tempo. É importante ter uma visão que vai além do seu tempo de vida, pensando que gerações poderão dar continuidade, o aspecto de família. É preciso ter a liberdade para se pensar em projetos a longo prazo, onde haverá heranças e aproxima geração poderá se beneficiar do que você construiu e ainda poderá dar continuidade. São heranças espirituais que advém dessa visão de família. Tem frutos que eu colhi e que eu não plantei. Meu filho irá colher frutos do que ele não plantou. Essa é a visão de família espiritual.
5) Fale sobre os cinco ministérios: apóstolos, mestres, evangelistas, pastores e profetas. Como estes ministérios operam nos dias de hoje e como lidar com os títulos fora da igreja?
TH: Deus levanta evangelistas, mestres, pastores, apóstolos e profetas e isso deve ser reconhecido também nos dias de hoje. Mas existem alguns ministérios que são mais latentes. E dentro da esfera da igreja os títulos são muito bem aceitos, mas fora da igreja, apesar de também serem aceitos podem se tornar rótulos e até perder a credibilidade. Precisamos ter sabedoria como usamos a semântica eclesiástica fora da esfera da igreja.
GP: Eu concordo.
6) Como ser igreja dentro da igreja?
GP: O pecado não tratado se torna um problema, mas o problema da igreja não é um pecado. O problema é quando as pessoas criam doutrinas para justificar os pecados. A igreja precisa ler a palavra e parar de engolir tudo que lhe é dado. É hora de voltar aos estudos profundos da palavra, aos estudos bíblicos.
TH: O primeiro campo missionário que encontramos é a própria igreja. Há muitas pessoas que são evangélicas e não são convertidas, estão dentro da igreja e não tiveram uma experiência genuína com Jesus. A melhor maneira de ser igreja dentro da igreja é pregar o evangelho, falar de Jesus. O Brasil está carente do evangelho mais simples, cura, redenção e libertação através de Jesus Cristo. Todo mundo está buscando uma cruz difícil de se carregar, uma causa para viver e morrer.

Mediado by Nathan Borges
Cobertura by Emília Jardim
Fotos by Lucas Job

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